doutores sem fronteira...2
Biologia

doutores sem fronteira...2


Continuando com os depoimentos sobre a experiência de pós-docs/doutorandos no exterior e a perspectiva quanto ao retorno ao Brasil...
Caso 2: PA
1) Nome ou alguma forma de identidade

PA – 37 anos natural de SP, mas carioca de coração.

2) área de formação/especialização no exterior

Biólogo formado em licenciatura pela UFRJ/92; mestre/96 e doutor/05 pelo IOC/FIOCRUZ; Pos-doutorado em imunologia da tuberculose/em andamento

3) expectativas quanto à experiência no exterior

Tive alguns percalços no início aqui nos EUA, como de praxe para quem está mudando de cultura e ambiente, mas nada que não pudesse ser superado aos poucos. Hoje, posso dizer que esta fase inicial nos serve de pavimentação para que ganhemos maturidade e encaremos as coisas sob uma outra ótica. Assim, vemos o Brasil com outros olhos, e as maravilhas de nosso povo com ainda outros. Mas também vem as comparações culturais, que deixam muito a desejar ao nosso povo quando se trata de coerência, ética, respeito e boa vontade. No que se refere ao trabalho em si, muitas coisas que vejo por aqui poderíamos implementar no Brasil, salvo as limitações orçamentárias e tecnológicas.

4) avaliação do confronto "expectativa X realidade"

Não tive este tipo de conflito pois venho de um laboratório na FIOCRUZ onde quase tudo o que faço por aqui, também poderia ser feito por lá. Porém, as facilidades que aqui encontro são tamanhas em comparação ao Brasil. Do tipo: uma análise que estamos fazendo e que teremos resultados já no mês que vem demoraria pelo menos um ano por lá, caso já tivessemos também os equipamentos montados.

5) expectaiva ou realidade quanto ao retorno ao Brasil

NENHUMA. Infelizmente, nosso país não me deu alternativas senão migrar para os EUA em busca de oportunidades. Não teria condições de viver de bolsas por uma eternidade, mesmo com um diploma de Doutor na mão. Isso sim me deu garantias de emprego por aqui. Concursos públicos são muito escassos na área de pesquisas, apesar do déficit de pessoal. Uma grande pena, pois apesar do investimento e apoio que o Estado brasileiro me deu ao longo dos últimos anos, e quando me sinto mais produtivo do que nunca em minha vida profissional para retornar este investimento ao povo brasileiro na forma de produção científica para nosso país, vim produzir e trabalhar para um país que não me formou ou investiu em minha carreira, mas veio colher os frutos deste investimento alheio.

6) top 5 aspectos positivos e top 5 aspectos negativos sobre sair do Brasil/viver no exterior

POSITIVOS:

Mudança cultural, Recompensa monetária justa, Contato facilitado com cientistas top na minha área, Domínio de uma segunda lingua e Amigos de outras nacionalidades.

NEGATIVOS:

Saudades da família, Saudades da pátria, Frio muito intenso, Inverno depressivo, distância da nossa cultura e Saudades dos amigos do Brasil.

Saudade não tem fim... abraço e sucesso PA, ana



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